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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CRÔNICA DE UMA TARDE CHUVOSA




Então ele foi atender o telefonema.  Era a mulher que ele estava já fazia alguns anos. Se ele a amava? Na verdade era difícil acreditar. O que ele esperava dela?  Alguma coisa que ela demonstrasse que lhe fazia falta. Daniel não sabia onde ele estava. E ele queria que alguma boceta com cérebro lhe encontrasse. Ela jamais saberia onde ele estava... Ele estava perdido onde ele não saberia. Os recônditos da alma é algo difícil de sondar. Pois não há mar, não há desertos infinitos e universos idem que nos levem a total compreensão da personalidade humana. 
Uma boceta com cérebro nos faz repensar todo um projeto de vida.  Daniel havia conhecido umas bocetas dessas. Onde ir em situações semelhantes? Um namoro malfadado jamais dará conta disso. Para onde ir e o que fazer? O desespero se instala...
Nem a máquina de escrever com sua presença ilustre ao abrir da porta jamais resumirá o outono desses dias sem sol.
Beethoven com seus dó, ré, mi, fá, só, lá, si jamais reproduzirá a sinfonia de todo um dia como esse...
- Álvares as coisas andam meio fora do lugar – falou-me Daniel com um tom zombeteiro.
- Elas costumam andar sempre assim... – respondi muito calmamente.
- Tu não bebeste todo o vinho, né?
- Ainda tem aqui.
- Acho que vamos precisar de um pouco mais.
- É fato.

E assim avançamos pelas ruas daquele município onde agora eu estava morando. Zona Metropolitana da cidade de Belém. Foda-se! Tudo parecia tão e infinitamente distante do nosso bairro de origem, o Jurunas. Tudo aquilo parecia uma prolongada piada de muito mal gosto. Mas precisávamos tomar umas pela ordem social vigente, pelas crianças que morriam de fome na África, pelo Messias aguardado pelos cristões e judeus, por toda merda que está no início do reto aguardando para se liberta fossa abaixo! A vida era muito gozada. Vivia fodendo e gozando de tudo e de todos. Queria ser uma foda menos fodida às vezes. Mas sempre a maldita acabava gozando de mim. O que Daniel estava querendo naquela noite? Bancar o comedor e inflar mais e mais seu maldito superego? Haveria bebida? Haveria saída? As músicas em espanhol continuavam a tocar eternamente...

(Walter Rodrigues)

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