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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Última etapa do projeto livro de memórias de São João da Ponta a partir de narrativas orais: textos adaptados das histórias orais voltam para seus autores para aprovação e 4º momento de entrevistas

Como ja postei aqui em Versos Rascunhos estou responsável pela redação e organização de um livro sobre as memórias do município paraense de São João da Ponta. Nesta postagem, descrevo uma síntese da última etapa desses trabalhos de campo realizados durante os anos de 2011 e 2012 nas comunidades do muncípio. O balanço dessas experiências foram muito positivo para este trabalho. Tirando o acidente que não estava nos planos e, que de certa forma, atrapalhou o desenvolvimento do trabalho. Mais sobre isso vocês lerão no corpo desta postagem. Agora, é ajustar alguns detalhes e partir para publicação. 

4º Momento de entrevista – Lázaro Palheta (Deolândia)


No final da tarde desse dia, sentamos junto à mesa da cozinha, seu Lázaro e eu, para darmos início ao 4º momento de entrevistas para o livro de memórias de São João da Ponta a partir de narrativas orais. Seu Lázaro me contou a respeito de sua vivência como pescador, caranguejeiro, coletor de malva, casca de mangue, comissário de polícia em Deolândia entre outras experiências de vida como morador do município e, mais particularmente da comunidade da Deolândia. Enquanto a conversa fluía, tomávamos um gostoso café com bolachas preparado pela jovem Rosa, filha de seu Lázaro.

22/04/2012 - RESULTADOS DAS ENTREVISTAS ORAIS TRANSCRITAS E ADAPTADAS PARA A LINGUAGEM ESCRITA PARA A ANÁLISE DOS ENTREVISTADOS 
  • Pedalando até São Francisco



Após uma boa noite de sono, acordamos por volta das 7 horas da manhã. Seu Lázaro estava ajeitando a bicicleta para me acompanhar até a comunidade  de São Francisco, que fica aproximadamente 3 quilômetros de Deolândia por um caminho cercado de pastos e mata de várzea. Em alguns trechos precisávamos carregar as bicicletas para atravessarmos córregos de transparentes águas que cortavam o caminho.


Finalmente chegamos na comunidade de São Francisco e seguimos até a casa de seu Lázaro Favacho da Costa, conhecido como Lazinho. Ali apresentamos o resultado das entrevistas orais transcritas e adaptadas para a linguagem escrita para a análise dos entrevistados. Depois da leitura dos originais, foi assinado um termo de autorização declarando que o narrador recebeu o conteúdo de suas entrevistas em formato de texto adaptado a partir das suas narrativas orais, e que por estar ciente do conteúdo e da posterior publicação do material, autoriza a utilização do conteúdo em formato impresso.
Depois seguimos para casa de seu Vitor Almeida. Explicamos mais um pouco a respeito do trabalho e apresentamos o material resultante de sua entrevista. Li alguns trechos junto com seu Vitor e ele me orientou nas minhas falhas referentes a audição das gravações que se refletiram no texto escrito. Passamos mais de uma hora corrigindo os versos do cordão da Cutia até ficar tudo nos conformes.


Então seguimos pelo mesmo caminho, seu Lázaro e eu. O sol já não estava mais tão amistoso e o cansaço e o calor sufocavam um pouco. Mas tudo bem, as pernas ainda conseguiam impulsionar os pedais. Passamos na frente do cemitério da Deolândia e finalmente ganhamos as ruas da comunidade.

  • Os resultados das narrativas orais analisadas pela narradora Tia Babita em Deolândia



Ainda faltava falar com Tia Babita. Segui até sua casa, mas ela não estava lá. Estava na casa de seu filho. Ali mesmo tirei a pasta da garupa da bicicleta e mostrei e expliquei para ela o que resultou a entrevista que ela nos deu no ano anterior e o que faríamos com aquele material se ela estivesse de acordo. Lemos cada frase do que foi repassado por Tia Babita e ela assinou a declaração sem dúvidas algumas.
Agora minha meta estava voltada para a comunidade Sede e a comunidade do Açú. E assim, almoço antes de me arrumar para sair. Uma galinha caipira deliciosa preparada pela esposa e filha de seu Lázaro.
Durmo um pouco...  Acordo depois de uma hora e meia. Despeço-me e agradeço pelo apoio e pela atenção dada por aquela família tão acolhedora e gentil.
Uma moto taxi me leva de volta para comunidade Sede.

  • Alcides Chagas e João Palheta entram em contato com os resultados de suas narrativas orais



Na comunidade Sede, vou até a casa de seu Alcides Chagas, o seu Siribóia e o encontro na frente de sua casa sentando numa cadeira, trabalhando num cesto. Explico o motivo da minha visita e pergunto se ele se lembra de mim e da entrevista que eu fiz com ele. Ele responde afirmativo. Sua esposa, dona Maria, chega logo em seguida. Mostro para ambos o resultado das transcrições das entrevistas e o texto referente a narrativa oral de seu Siribóia. Explico sobre a autorização a ser assinada. 


Depois, dona Maria mostra algumas panelas e bacias feitas de barro por sua mãe. Dizendo que nos tempos antigos era assim que se cozinhava.



Sigo para casa de seu João Palheta, o seu João Timbica, e converso com ele, explicando o trabalho e o motivo daquela volta. Ele recorda e sua filha comenta: “Ele sempre fala dessa entrevista dizendo que o senhor ia voltar”. E eu voltei e trouxe o material resultante daquela entrevista realizada há pouco mais de oito meses.


  • Complementando a entrevista do ano passado com dona Márcia Matos Almeida, a dona Marcinha


Continuo caminhando pelas ruas da Sede Municipal a procurar dos autores daquelas narrativas orais. E, passando na frente da casa de dona Márcia Almeida, dona Marcinha, eu a encontro sentada na varanda de sua casa, com o olhar perdido na rua. Eram por volta de cinco e meia da tarde. Eu a saudei e depois conversamos sobre o andamento do trabalho de memórias de São João da Ponta. Mostrei os textos adaptados e aproveitei para fazer mais uma entrevista complementar com ela a respeito dos cordões de pássaros, animais, danças, folias e bois-bumbás. 

23/04/2012 – UM ACIDENTE NA ESTRADA ATRAVANCA O TRABALHO 

O planejamento para o dia de hoje seria realizar entrevistas nas comunidades Sede, Jacarequara e Monte Alegre, conhecida também como Quatro Bocas. E  ainda tentar levar os textos adaptados das entrevistas orais para os narradores da comunidade do Açú para que os mesmos pudessem entrar em contato com os resultados de suas entrevistas.
No entanto, ao me deslocar da Sede para o Açú, sofri um pequeno acidente no trecho da PA 375 próximo ao ramal da entrada do Jacarequara. Uma colisão frontal com uma moto vindo ao sentido oposto ao meu.
O acidente deixou as rodas e a frente da bicicleta, toda destruída; já com relação à moto: a mesma ficou com um farol quebrado, devido ao impacto do meu joelho direito, e mais um retrovisor estraçalhado ao entrar em contato com a parte inferior da minha costela esquerda. Enquanto esse breve e eterno momento durava, os meus óculos voavam para longe da minha cabeça, devido meu maxilar inferior (queixo) colidir bruscamente com a direção da moto.
Todos esses danos foram causados antes de meu corpo, que voava com a leveza de uma pena, repousar na estrada, com a leveza de um elefante, enquanto eu observava a moto que freava mais adiante, torcendo para que minhas pernas, braços ainda estivessem inteiros. Por sorte, os ossos estavam todos no lugar.
Passei mais 30 minutos na beira da estrada esperando algum moto taxi aparecer. Uma vez que conhecido algum passava e muito menos bons-samaritanos. Depois um moto taxi apareceu. Fiz sinal. Coloquei o resto da bicicleta de seu João Lima no colo, ajuntei minha mochila e minha sacola e partimos pela estrada.
Chegamos na comunidade do Açú, por fim. Mas eu não estava em condições físicas e nem psicológicas para continuar o trabalho ali. Eu precisava voltar pra casa. E assim fiz, seguindo com meu moto taxista até o KM 39, de lá pegando uma van até Castanhal, depois outra van até Belém, onde eu teria que pegar mais uma van até a minha casa. O trabalho dava-se por encerrado naquele 4º Momento de Entrevistas para o livro de memórias de São João da Ponta a partir de narrativas orais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O balanço dessa experiência foi muito positivo para este trabalho. Tirando o acidente que não estava nos planos e, que de certa forma, atrapalhou o desenvolvimento do trabalho. No entanto, a cada senhor e senhora que retorno após minhas entrevistas aqui em São João da Ponta, eu sinto que cada momento, duro e áspero que passei ouvindo todas aquelas gravações orais e as adaptando para texto escrito, foram de um valor inestimável. Pois, o respeito pelas memórias e pela valorização dos conhecimentos dessas pessoas deveria ser a meta primordial de todos aqueles que se valem da colaboração dos conhecimentos de seus entrevistados para compor seus projetos. Esses dias aqui, em que pude retornar os resultados das transcrições das gravações coletadas no ano passado (2011), me encheram de motivação e de emoção ao notar nessas pessoas o respeito, a satisfação e agradecimento em poderem entrar em contato com os resultados de suas entrevistas. Nossa, acho que nunca voltarei a me sentir tão respeitado como me sinto nesses dias... Pois, como diria Alessandro Portteli (2005): "Não sabia nada, um pouco me ensinaram, aprendi indiretamente e aprendi diretamente e saí transformado". 
Obrigado, por serem meus mestres e me permitirem aprender com vocês, senhores e senhoras de São João da Ponta - PA!

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